quinta-feira, 7 de maio de 2009

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Uma Nova Estrela Brilha no Céu...


Aproveitando as contingências dos tempos, eis que surge Hugo Cristóvão a brilhar no céu do agrupamento de escolas de Freixianda... De todos os professores que lá havia, julgo que muitos fossem Titulares, foram buscar isto à JS para lá porem na CAP...
Pai, Mãe - terá gritado - Já sou direktor! Passei à frente dos Titulares todos, eu, vosso filho, vejam como sei aproveitar as oportunidades que a vida dá... Qualquer dia serei mais um professor primário a calcorrear os passos perdido da Assembleia...
Bonito, bem parecido, com a sua fatiota comprada na feira e a camisa com uma cor igualmente celestial, rosto bolachudo a lembrar um novo Mário Soares, penteado ondulado a lembrar o Vítor Constâncio, umas rosetas de campónio, que devem corar quando fala, uma barba mal escanhoada comporia o quadro, não fosse o sinalinho sob o olho esquerdo a rematar ainda mais as parecenças com o Paulo Pedroso... Um mix de vultos do PS perfeito, a lembrar muito o último, não sei porquê...
Boa sorte e bom trabalho. Esperemos que no primeiro dia nenhum adulto te enfie um caixote do lixo pela cabeça abaixo...
Por favor não cuspam no monitor, ele é vosso e não tem culpa...
Se quiser leia aqui o início da história...

Só Duas Palavras…

Não só não poderia estar mais de acordo com o texto, como sublinho a importância do dever de exigência requerer uma regulamentação em que, devida e claramente, se estabeleçam as obrigações inerentes à dignificação de uma classe profissional.
Evidentemente, nada me parece mais lógico do que a criação de uma Ordem de Professores, a exemplo das que existem nas mais variadas classes profissionais. Por todos os motivos pelos quais elas existem e mais alguns, atendendo à especificidade do nosso ofício. É sobre esses que eu diria duas palavras…

Primeira, deveria caber a uma ordem de professores a palavra final sobre o acesso à carreira, já que, só assim, se consegue evitar a manipulação de toda uma classe fruto da sua vulgarização, cada vez mais maciça. Ser professor tem que voltar a ser uma honra e uma distinção, que a massificação do ensino transformou numa, cada vez mais, acentuada vergonha e humilhação. Aqui há uma imensa culpa dos sindicatos que, a propósito dos mais abjectos fins, promoveram a permeabilidade da capacidade de exercer funções lectivas entre os diversos graus académicos, através dos mais inusitados meios de requalificação e formação de duvidosíssima qualidade.
Dou um exemplo, um destes anos, chegado a uma escola nova, cheguei à fala com uma colega que me perguntou de quê que eu era… Respondi-lhe que era de filosofia, ao que ela retorquiu que eu devia ser doido, já que no upgrade que ela tinha feito, para passar de professora primária para licenciada e professora do secundário, feito não sei onde, tinha tido qualquer coisa, que eu já esqueci o nome, como história das ideias, ou qualquer coisa assim, relacionada, muito vagamente, com a filosofia e que lhe causou incomensuráveis dores de cabeça, pois não conseguia perceber nada daquilo… Só a custo, por trabalho de grupo, com 10 e com muita água benta do professor, conseguiu fazer aquela porcaria…
Nada de muito grave, não fosse dar-se o caso dessa criatura ter sido colocada a leccionar no grupo de português onde, por ser quem tinha mais anos de serviço, passou a leccionar, exclusivamente, Literatura Portuguesa do 12º ano, onde ensinava Antero de Quental, Fernando Pessoa e por aí… Como? Não sei… Sei apenas que, na dita escola, havia um número bastante razoável de professores de português muito competentes que não podiam leccionar o nível e a disciplina porque estava lá a novel doutora…

Segunda, o mesmo diria em relação aos conteúdos programáticos, à sua organização e prática pedagógica… Evitaria a maioria dos abortos que para aí andaram e andam. Só darei dois exemplos… Lembro-me de um programa de Psicologia dos cursos tecnológicos que assentavam num portefólio a desenvolver, autonomamente, pelos alunos. O professor deveria apenas auxiliar as suas pesquisas… Obviamente, vi logo no que ia dar, numa turma de desporto com quase trinta alunos. No entanto, como gosto de experimentar as coisas, tentei três semanas, período após o qual fiz o que todos os outros fizeram que foi voltar à moda antiga, eu dou as aulas, faço o manual (que nem sequer existia) e, com isso, os meus amigos farão o vosso portefólio ou o que quiserem…
Finalmente, abro ao acaso as sugestões do ministério no item: situações de aprendizagem/avaliação, na disciplina de Área de Integração dos cursos profissionais do secundário, tema/problema 6.2- O desenvolvimento de novas atitudes no trabalho e no emprego: o empreendedorismo e cito apenas dois itens…
· Realização de um debate entre uma turma e um empregador sobre formação inicial, formação contínua e primeiro emprego no sector respectivo: realidade existente e desejável.
· Visita de estudo a uma empresa de elevada tecnologia, tendo em vista a compreensão das relações de trabalho e cultura da empresa.
Não digo mais nada. Pensem…

Jogar às utopias ou às catástrofes

Posted by Paulo Guinote

Jogar às utopias ou às catástrofes

“Tudo seus avessos tem” (Sá de Miranda)

O comentário (número 14) “Sou titular com orgulho”, escrito no post “As propostas da plataforma sindical – 2. Formas de luta” (5.Maio.2009), trouxe, novamente, para a opinião pública uma temática longe de estar terminada porque sempre discutida, um tanto ou quanto, de forma superficial pelos seus opositores. E, provavelmente, vítima daqueles que se refugiam no silêncio cauteloso de uma opinião não formulada porque aprisionada em amarras de indecisão.

Entretanto, em oposição a uma sanha persecutória contra a criação de uma Ordem dos Professores, surge, como argumento de peso a seu favor, “um saber de experiência feito” que nos é transmitido através da mensagem chegada nesse comentário, qual grito de alma que merece ecoar na planície dos indecisos.

Reza a mensagem: “Não gosto de sindicatos…Lembram-me sempre operários e essas coisas. Felizmente, nós temos a Nossa Ordem”.Ora, não gostar de sindicatos é uma opinião como qualquer outra: como diz o povo, “gostos não se discutem.”

Mas, em contrapartida, falar de cor, sem conhecimento de causa que permita avaliar os prós e os contras em os professores assumirem em suas mãos o próprio destino, colhe as vantagens de um seguidismo cómodo em não fazer ondas para obedecer à voz do dono em copiar o exemplo de um bafiento sindicalismo ruidoso que vem para a rua para se impor através de decibéis ou slogans que fizeram uma história que se quer repetida até à exaustão porque uma mentira mil vezes repetida se transforma numa verdade, como defendeu Goebbels, ministro da Propaganda hitleriana. Ora uma cópia, por mais que se esforce, nunca atinge a perfeição do original.

Falemos claro de uma vez por todas. A quem interessa a inexistência de uma Ordem dos Professores? Em sequência arbitrária, para além de outros possíveis sindicatos, essencialmente, à Fenprof (tida como o sindicato com maior número de associados) que veria o número de sócios descer vertiginosamente e, com isso, a sua influência política na sociedade portuguesa. Depois ao ministério da Educação que deixaria de poder continuar a ter a classe docente nas mãos como antigos escravos gregos ao serviço dos senhores de Roma. Finalmente, aos professores que se movimentam em águas turvas de quanto pior melhor para que a sua mediocridade não se veja reflectida em águas límpidas. Todos estes exemplos obedecem ao princípio de dividir para reinar, reinar até no sentido de transformar o sistema educativo numa verdadeiro circo. Palhaços já nós temos, só falta montar a tenda.

A contrário, a Ordem dos Professores servirá para unir os professores, todos os professores, dando-lhes o sentimento de constituírem uma classe profissional e, não, apenas um amontoado de gente que quer direitos e enjeita os deveres de um código de conduta. Será assim tão difícil compreender isto? Como o compreendeu e defendeu Raymond Polon: “Reivindicar direitos sem proclamar obrigações é querer o impossível, é jogar às utopias ou às catástrofes”.

Rui Baptista