terça-feira, 24 de março de 2009

A MISSÃO DO PROFESSOR - Reflexão Pascal


O múnus do ensino é Nobre, é elevado e por isso digno de carinhosas atenções de todas as entidades. É por ele que se há-de desbravar o caminho por onde tem de seguir o futuro cidadão, numa idade em que ele tropeça nos mínimos obstáculos e o seu espírito é mais maleável e receptivo.
O professor há-de estar na aula com o coração a regorgitar de amor pelos seus discípulos, mas amor traduzido efectivamente em actos de paciência, bondade e dedicação. E a par de tanta brandura, porém, há-de ser vivo, ordenado, claro e justiceiro. Não deve ter preferências, nem predilecções, nem antipatias.
E ainda possuindo estas importantes qualidades, elas serão prejudicadas se ele não tiver vocação para o ensino.
O professor deve ter sempre presente a ideia de que são os homens que honram os empregos e não os empregos os homens. Ele deve estudar dia a dia: tem de ser uma pequena enciclopédia viva – além de pedagogista prático, no maior grau possível, um pouco de moralista, higienista, legista, filósofo, médico, regularmente enfarinhado nas ciências físico-naturais e bastante sabedor das indústrias, comércio e agricultura mais importantes da sua região.
O professor, como homem, não deve pactuar com o servilismo, nem ser passivo ao ponto de se humilhar. Há-de ser um modelo de cidadão , como tal, trazer bem aprumada a sua pessoa moral.
Não deve ser retrógrado ou atrasado : acompanhar o movimento das ideias, não julgar que só as suas são verdadeiras e estar a par dos modernos progressos morais e materiais.
O seu objectivo constante tem de ser, no ponto de vista educativo, - verter a toda a hora nos cérebros dos seus alunos as noções de Pátria, Honra, Trabalho e Liberdade.

9 comentários:

Senhor Titular disse...

Tudo muito correcto! Sim, senhor! Peço, no entanto, ao Dr. Duarte da Veiga que, se puder e quando lhe for possível, me satisfaça a curiosidade quanto ao significado do vocábulo "liberdade".

Dr. Duarte da Veiga disse...

Caro Senhor Titular, a palavra Liberdade, deve ser entendida neste contexto, como em todos os outros, como expressão inequívoca de amor - amor pela Pátria, pelos valores, pelos costumes, pelos superiores, pelos professores, pela família. Ou seja a total possibilidade de expressão para fins precisos e educados.

Grão-Titular disse...

Sem lhe responder, já que a pergunta é dirigida ao Dr. Duarte da Veiga, deixe só que lhe pergunte: leu Kant e, sobretudo, leu Hegel? A resposta, se ler encontra-a clarinha como a água...

Anónimo disse...

Não me falem em água clarinha.
Ainda há pouco, há poucochinho, houve um problema nas condutas de água na Quinta da Marinha e, olhem, a água era tão escura!

Grão-Titular disse...

Isso é porque toleraram a entrada a futebolistas... Eu sempre fui contra...

Dom António disse...

Caríssimos, não será preciso redefinir a Pátria?

Grão-Titular disse...

Eu diria que é necessário limpá-la, como diria o Eça no Conde D'Abranhos, com benzina...

Anónimo disse...

ou talvez mesmo na própria Relíquia. Santa Ignorância!

teresa m disse...

Um texto interessantíssimo até estragar tudo com o parágrafo final:"O seu objectivo constante tem de ser, no ponto de vista educativo, -verter a toda a hora nos cérebros dos seus alunos as noções de Pátria, Honra, Trabalho e Liberdade."
Pois que ninguém verte nada em ninguém e ninguém ensina antes se aprende. O seu objectivo constante será antes ser o mediador entre o conhecimento e as fontes do conhecimento e o aluno, propiciando a aprendizagem.
As noções de Pátria tb são diversas e eu falaria antes em identidade colectiva que se expressa hoje a diferentes níveis, do local ao global. Honra, Trabalho e Liberdade, com certeza, mas também Felicidade. E Solidariedade, que é o meio de estender a felicidade aos outros. E Cidadania, que é o meio de pugnar solidariamente por uma felicidade equitativa que não tem nada a ver com caridadezinha.
Uma Professora